Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Para quando uma zona para «benzimentos»?

A «vetusta» cidade de Estarreja começa agora a sentir na pele os malefícios da elevação a cidade. Os arrumadores delinquentes e a mendicidade romena e turca chegaram e vieram para ficar. É o problema das «grandes» urbes como Estarreja. Nisto, dou a mão à palmatória e reconheço que em Fermelã é que se está bem. A criminalidade é reduzida (salvo um ou outro roubo de casas e fiados mal parados) e se algum arrumador de carros tiver a infelicidade de vir trabalhar para cá, certamente que vai ser espancado até à morte porque já se sabe que nesta freguesia o estacionamento é à patrão, com predominância para veículos com chaparia em cor de vinho. Os proprietários destes singelos veículos de tracção às 4, acordam por vezes tão mal dispostos que quem paga são sempre os outros, os que querem chegar a horas a qualquer lado e têm que aguardar que o senhor empresário retire o veículo mal estacionado. A não ser que o dito cujo esteja parado numa zona para «benzimento». Se assim for, vai ser necessário esperar até que o proprietário faça a auto-benzedura com um cálice de liquido da mesma cor da chapa do carro... Se bem que esta questão até não interesse para nada. O que importa é que o aviso está feito. Todo e qualquer arrumador que apareça por Fermelã, será prontamente embalado e recambiado para a metrópole de Estarreja. Eles que os aturem que têm vagar para isso...

13 euros:

Duquesa do Cadaval disse...

Nem de propósito, este postado veio mesmo a calhar porque tenho uma dúvida que gostava de ver ser respondida.

Por falar em criminalidade, alguém sabe responder se é preciso algum tipo de licença para eu puder afixar um cartaz na janela do meu estabelecimento com o nome dos devedores à casa?

Os criminosos prometeram pagar antes do fim deste mês e que eu saiba Abril tem 30 dias e ainda não vi a cor do dinheiro em frente aos meus lindos olhos azuis cor do céu. Se não for precisa licença o cartaz vai sair na 6a feira e não sai já amanhã porque é feriado senão já estava feito.

Não paguem não. Ando aqui a trabalhar para aquecer o corpo às tantas.

emplastro filho disse...

minha mãe é benzida e meu pai é copo de vinho

Cegonha do Vouga disse...

Acho bem que em Fermelã recambiem os arrumadores para a metrópole, cá já está tudo tão bem arrumadinho que em vez de arrumar só vinham desarrumar.Cá já está tudo feito, já não existe mais nada para fazer, aliás, cá não acontece mesmo nada, passa tudo ao lado.
Se em Portugal inteiro também embrulhassem e recambiassem toda a escumalha que cá vem parar e a enviassem para a origem é que era bom, daqui a pouco no meio de tanta escumalha já nem se distingue quem são os Portugueses, começa a ser uma mistura explosiva.

Alien disse...

Idealizo fermelã bastante evoluida num futuro muito próximo com parquimetros ao longo da estrada nacional e arrumadores no estacionamento da casa mortuária a comandar as senhoras que chegam para ir mudar a água às flores do cemitério.

Idealizo fermelã com vários nucleos de casal ventoso espalhados pelas artérias mais recônditas da freguesia. Locais onde entramos por acidente e de onde só saimos sem roupa e telemoveis. E isto com alguma sorte porque podemos sair de lá a bordo de um cofre em madeira de cedro.

Idealizo a urbe estarregina a espalhar-se pela periferia e a chegar a fermelã. Dezenas de prédios de habitação social a cairem de podres. Delinquentes a passar droga por trás dos prédios. Os filhos ranhosos a pedinchar à porta dos cafés e a roubar as carteiras das senhoras que estão à espera do autocarro.

Idealizo a policia a fazer grandes rusgas ao coração de Fermelã. Uma troca de tiros em pleno chanfrante entre gangs rivais. O gang dos aceleras de escape duplo contorcido e o gang dos aceleras de aileron tamanho XXL.

Idealizo fermelã a sair nos jornais nacionais e a abrir o noticiario da TVI com o titulo "multibanco de fermelã arrombado pela 5ª vez em 3 semanas".

Idealizo os pinhais de fermelã repletos de prostituição, proxenetismo e covis de assassinos que andam a monte da bófia. Para irmos dar uma caminhada pela natureza só de chaimite e colete protector.

É isto que a cegonha quer quando refere que aqui não se passa nada?
Deixem estar fermelã muito bem sossegadinha e que a criminalidade vá toda para a cidade dos deuses, vulgo, Estarreja.

E em frossos como é cara cegonha. Como são as coisas por aí?

Cegonha do Vouga disse...

Bolas Alien, até fiquei em estado de choque.
Eu estava a ironizar, quando dizia que aqui não se passa nada estava mais virada para a parte positiva, digo desenvolvimento e outras coisas inerentes ao mesmo.
Tudo arrumadinho mas em questão de se fazer algo útil.
Falei em linguagem de ave talvez, expliquei-me mal, é o que faz ás vezes querermos ironizar com coisas simples.
Você deixou-me com o coração a doer (se é que isso é possivel), apetece-me migrar para outros postes longinquos, com um futuro tão negro não é local para as minhas crias acabadas de saír dos ovos crescerem.
Acho que fiquei mesmo em estado depressivo...ah e mais, em Frossos nunca me apercebi de nada de nada, só lá passo férias...

rebimboa disse...

Não deixa de ser curioso que esse mesmo veiculo cor de vinho também seja sempre o mais mal estacionado em dias de eucaristia. Ou é em cima dos passeios ou a tapar a saida dos outros carros. E neste ultimo caso temos que esperar até que o dono da carrimpana meta a hostia pela garganta abaixo e venha tirar o chasso.
PECADOR!!!!

Duquesa do Cadaval disse...

Por este andar este blog está a caminho de se tornar num novo poeta onde se lava roupa suja. Não vão por aí. Antes poucos mas uteis do que muitos e despreziveis.

Um conselho; paguem todas as vossas dividas antes que feche o mês e vão de férias/feriado/fim de semana descansadinhos (incluindo a minha divida, se a pessoa já se esqueceu do valor relembro: são 34,80E)

Cegonha do Vouga disse...

Desculpe lá Duquesa mas pelo que tenho visto e lido as duquesas , baronesas ou marquesas, lá do alto dos seus títulos nobres decadentes ,no socialite também são das que lavam roupa suja, por isso não estou a compreender a sua preocupação.
Como não devo nada a ninguém nem falo em ninguém em particular não vi pelo menos da minha parte onde esteja a roupa suja já lavada.
Mas a Duquesa faz bem em cobrar a sua divida, está no seu direito, além do mais não vale a pena os devedores sujarem-se por tão pouco.
Bom feriado

Fermelanidades disse...

Estimada duquesa,

acerca do problema que a apoquenta. Foi feito um estudo não oficial que mostra que a fixação de listas com o nome dos devedores de determinado estabelecimento comercial possui uma percentagem de sucesso na ordem dos 60%. Tente, pode ser que resulte, nunca se sabe se os maus pagadores vão ganhar vergonha na face. Quando o papel estiver visivel pode ser que alguém o fotografe e envie para cá.

Sobre a licença para tomar essa atitude.
Não é necessário qualquer procedimento para além da fita cola necessária. Aconselho-a a ler o seguinte despacho emitido pelo TIC de Coimbra para um caso similar.

«O Tribunal da Relação de Coimbra (TRC) considerou que é legítima a afixação de um papel com indicação do nome de devedores e respectivo montante em dívida, nas montras dos estabelecimentos comerciais, como forma de pressionar o pagamento de pequenos montantes. Tal prática, não é atentatória da honra e consideração dos visados, desde que a linguagem usada não seja ofensiva, pelo que o tribunal recusou condenar o dono do estabelecimento por difamação. Para o TRC, o raciocínio contrário permitiria até concluir que também o Estado estaria a praticar um crime de difamação sempre que publicita o nome de um eventual devedor, sem a certeza duma decisão judicial, e sem exercitar os meios idóneos postos ao seu dispor para a cobrança de dívidas.

O caso

A questão foi colocada depois do dono de um café, em Vagos, ter afixado um papel na janela do seu estabelecimento, no qual referia o nome de um cliente que lhe devia pouco mais de 170 euros desde 2003, pelos consumos de bebidas, tabaco e refeições fiadas, e empréstimos de pequeno valor. O cliente declarou-se ofendido, negou a existência da dívida, deixou de frequentar o estabelecimento e avançou com uma acção por difamação no Tribunal de Vagos. Durante a instrução, o tribunal concluiu pela existência da dívida mas entendeu que o meio utilizado pelo dono do estabelecimento para obter o pagamento da dívida foi eticamente reprovável e não o indicado, pois podia e devia ter recorrido aos tribunais para o efeito, através da acção de natureza cível. Por outro lado, entendeu que competia ao cliente assegurar o pagamento das dívidas por si contraídas. O caso não foi levado a julgamento. O Ministério Público não concordou com a decisão e recorreu para a Relação de Coimbra.

A decisão do Tribunal da Relação de Coimbra

Na sequência do recurso apresentado perante o TRC, coube a esta instância decidir, nomeadamente, se o comportamento do dono do café seria ou não legítimo, ou seja, se as relações cliente/vendedor deviam ser expostas ao público em geral como forma de pressionar, através da vergonha pela exposição pública, um mau pagador.

Para o TRC, o dono do café pretendia, única e exclusivamente, pressionar o cliente a pagar a alegada dívida, e não descortina como haveria de lançar mão dos referidos meios processuais próprios, a nível cível, face à pequenez da dívida invocada.

Esta instância confirmou a decisão do Tribunal de Vagos quanto à existência da dívida e considerou que o dono do estabelecimento, ao afixar o papel na janela, estava a prosseguir interesses legítimos»

Fermelanidades disse...

Estimada cegonha,

tenha paciência com esta duquesa porque é perfeitamente compreensivel que quem trabalha e não se veja recompensada fique irritadiça e sem humor para pequenas brincadeiras.

Bom feriado

Cegonha do Vouga disse...

Caro Fermelanidades
Penso que prestou um serviço público muito importante para outros comerciantes da zona ficarem informados e que queiram aderir á ideia.
É que para os maus pagadores ainda que não paguem na mesma, já era uma alegria ver a cara deles de vergonha (se é que a têem).
Quanto á Duquesa fique descansada, é claro que compreendo os motivos da senhora, aliás tem todo o meu apoio.

emplastro filho disse...

tanta conversa fiada sobre maus pagadores. a minha mãe passou a vida a dever nas lojas e não foi por isso que me deixou de criar. devo a ela ser hoje um emplastro instruido na boa educação e no cultivo das boas maneiras. tomo sempre banho uma vez por ano e mastigo sempre com a boca aberta que até cai os restos para a camisola. não me peido em recintos cobertos e aguento sempre até chegar ao ar livre. o que ela poupou na loja serviu para me colocar nas melhores universidades emplastras do mundo. não é o deixar de pagar que conta mas sim o que somos cá dentro, o nosso interior. e o meu interior é todo castanho vi uma vez num exame que fui fazer ao recto.

Anónimo disse...

necessario verificar:)