A nossa equipa de reportagem desceu à rua e foi perguntar aos estarrejenses qual o termo mais correcto, será «eu vou votar no partido X» ou «eu vou eleger o partido X.»
Em Salreu abordámos uma doce velhinha que nos respondeu: «quê? Quem? Olhem não percebo nada do que dizem porque deixei o aparelho auditivo em casa mas pelo vosso aspecto parecem ser do Ministério da Educação. A escola das Laceiras fica já ali acima, é sempre a direito.»
Em Canelas fomos ao encontro de um simpático mirone do Campo da Cruz, eis a resposta: «olhai-de amigos, desde que o grande Oliveira Salazar desfaleceu que essas coisas do voto me passam ao lado mas tenho um primo que é Doutor que é capaz de saber disso que vós pretendei-des. Vou-vos dar a morada dele.»
Em Estarreja Cidade interpelámos um artista plástico que nos disse de sua justiça: «reparem seus néscios da cultura, se fosse só para eleger por eleger eu elegia a Dra Marisa Macedo que pinta o diabo lá no Parlamento, mas como é só para votar, prefiro votar no Dr Eduardo Matos que tem apoiado bastante a cultura em Estarreja. Estarreja tem hoje uma cultura acima da média. Vou perder a cabeça e atrever-me a dizer que Estarreja é bem capaz de ter mais cultura que Figueiró dos Vinhos.»
Na Murtosa, terra que pelos vistos voltou a pertencer a Estarreja, questionámos um pescador: «botar? Isso faz-me lembrar alguma coisa...deixa lá ver...!!!...ÓH Maria? Já botastes as redes para a barcaça? Ainda não?! Sua desgraçada, deixa-me acabar de atender estes senhores que a seguir vais ver com quantas ripas se faz uma bateira!!»
Em Veiros não deu para entrevistar ninguém porque era hora de oração em volta do sobreiro de São Geraldo, a Meca dos Veirenses.
Em Pardilhó demos de caras com um emigrante Yankee que nos disse num português confuso: «oh my God, you´re from the TV? Well, i´m from Texas and i live next to Bush´s ranch. Sometimes he invited me to play cards and drink whisky. We´re great friends. I call him every week to say "Bush seu ganda maluco".» A seguir a tia do yankee interrompeu a entrevista porque entretanto chegou o motorista do manicómio para o levar de volta.
De volta a Fermelã, tinhamos alguma curiosidade em saber qual a resposta de um fermelanense de gema a esta dificil questão, entrámos na padaria e a funcionária respondeu-nos ao mesmo tempo que preparava um brioche: «olhem, eu nunca votei porque nesse dia o meu home costuma aproveitar para ir à pesca com os amigos e eu tenho que ficar a tomar conta da cria mas se eu pusesse o voto em algum era naqueles do pê-este-dê porque o chefe deles costuma vir cá beber o galão às 9horas, é sempre muito simpático e já deixou gorjeta. Até ando a ver se o meu mais velho se apaixona pela neta dele que já me disseram que é um bom partido. Mas não digam isto a mais ninguém. A minha boca é um sagrado tumulo. Aqui entra tudo mas não sai nada. O que eu ouço neste balcão vai comigo para a cova. Sou muito contra essas que passam o dia aí ao alto a falar desta e daquela. Deus me livre e guarde de ser assim...»
Depois estive para perguntar à jovem a opinião sobre as politicas para a freguesia de Padre Franklim mas pensei que era melhor não porque ela era menina para escarrapachar a vida do pároco toda ali na minha mesa...
Ronda semestral pelas freguesias - Veiros
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«O que existia em frente, a fraca luz do gasómetro não permitia ver com
clareza. Algo como uma grande sala envolta na mais completa escuridão.
Alguns dias ...
Há 18 horas
1 euros:
Eleger?
O que será isso, algo que se coma?
Votar?
Cá é mais:
"Botábaixo"
"Bota dilástico"
"Bota no livro"
"Botámoer"
"Botamaí um copo"
Até as galinhas devem "botar" ovos.
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