Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Portugal em Capitulos IV

Sónia Santos
Papiro Editora
http://www.papiroeditora.com

O Hospital
«Os hospitais portugueses são o expoente máximo da exposição das melhores caracteristicas do nosso povo. Chegando ao serviço de urgência somos obrigados a enfrentar o maior desafio à paciência humana: o guichet! E que não se pense que duas fracturas expostas e um olho negro são motivo para não apresentar o cartão de utente e ditar a nossa morada para confirmação dos serviços. E é bom que espere a sua vez na fila, porque isso de quem está em macas pedir para passar à frente é um esquema inventado por espertinhos que há muito foi proibido...
...depois das formalidades iniciais, chega-se à altura da atribuição da cor, é o que vai determinar se vamos ser atendidos dentro de 2...5...8 horas ou até se ainda há hipotese de passar o Natal em casa. Há até o tráfico de influências para se conseguir uma boa cor: -ó amigo, desenrasque-me aí um laranja que eu tenho 4 filhos que ainda queria ver esta semana!
...as tv´s estão sempre ligadas por acordo unânime ou no reality show do momento ou na telenovela de ocasião, o que dá um bom tema de conversa nos intervalos entre os insultos aos médicos e ao governo....
-Doutor eu cheguei primeiro, eu tenho muita caspa, quando é que me atende?
-Alguém viu o bombeiro de Matosinhos? Não? Se o viram digam que o maqueiro anda à procura dele!
...normalmente, há um médico por cada dez doentes, o que nem era tão mau se eles pelo menos tivessem espaço para pousar o papel e escrever o diagnóstico. Eu acho aliás, que acabaram com os termómetros de mercúrio e passaram para aqueles pequeninos digitais, não por questões ambientais, ms porque debaixo do braço de um paciente na triagem, eles podiam furar um olho ao freguês da maca do lado....

...passada a epopeia, é de agradecer a dedicação dos profissionais de saúde, desejar saudinha a todas as senhoras na sala de espera e regressar a casa para curar a gripe que certamente se apanhou pelos corredores do hospital.»