Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Ainda sou do tempo...

...em que o São Miguel era feito exclusivamente com a prata da casa, a saber:

  • para quem apreciava folclore, o rancho local actuava duas noites seguidas. Era vibrante ver os brilhantes passos de dança que se executavam em cima do palco, assim como os bailaricos que se formavam à roda do antigo cruzeiro lá existente no lugar da actual cruz do milénio;

  • para quem não apreciava folclore, a noite era passada no barracão da ACADOF junto de malta amiga, bem perto do aroma inconfundível dos cozinhados da dona Eva e de frente para a taça de tinto carrascão oriundo das caves locais. Que rica pomada caseira que aquilo era!;

  • para aqueles que ainda não tinham idade para beber, o escuro dos antigos lavadouros onde hoje se situa a tasquinha do Rancho, servia de refugio para umas beijocas furtivas mal amanhadas e para uns quantos jogarem ao «esconde-esconde» aproveitando todas as chances para apalpar a «xixa» das moçoilas que durante o resto do ano nunca nos passariam pela mão;

  • os rapagões mais imponentes da terra eram colocados a servir de porteiros à entrada da Avenida para impedir que os índios da Murtosa viessem com suas «relas» infestar o bom ambiente que aqui reinava;

  • a grande feira das cebolas era maioritariamente constituída por produto local. Quilos de tranças de cebola criadas de forma natural nos nossos quintais sem recurso a hormonas de crescimento. As próprias «vendedeiras», salvo um ou outro caso, também eram de cá, o que transformava a feira das cebolas num mini-lavadouro de ar livre;

  • ainda sou do tempo que praticamente toda a gente integrava a procissão que subia o empedrado da estrada nacional até ao São João e descia pelo Matinho. Quem ficava na beira abstinha-se de enviar bocas ao pároco porque toda a gente gostava do Padre Diogo;

  • ainda me lembro de ver anjinhos na procissão, hoje, são homens e mulheres feitos que nunca mais cá puseram os pés. Se calhar ficaram para sempre com o trauma de carregar asinhas pela Rua da Oliveira acima;

  • nesse tempo as nossas jovens beldades gostavam de mandar um ou outro olhar de soslaio para os garanhões que vinham de fora mas no fim das festanças eramos nós, prata da casa, que as iamos acompanhar até à porta de casa. O único prémio que exigíamos em troca era o beijinho da praxe;

  • ...depois de as deixarmos em casa voltávamos rapidamente para a ACADOF porque ia começar o loto. Era até às 2h e tal da madragoa;

  • ainda cheguei a participar nas corridas de sacos, no jogo da malha, no Grande Prémio da ACADOF, nos duelos de bateira, na mostra equestre e em todas as actividades que anunciavam a proximidade do São Miguel;

  • ainda sou do tempo em que o ar que se respirava no São Miguel era puro, sentia-se o espírito de São Miguel em cada esquina da freguesia, a camaradagem e sentido de entreajuda estavam presente em cada rua. Casas vizinhas escancaravam as portas tornando-se uma só. Matava-se um porco e distribuía-se a carne pela vizinhança. As rivalidades bairristas Roxico/Fermelã não tinham razão de ser, a guerra Norte/Sul ninguém sabia o que era isso e as expressões «gajos lá de cima» e «malta lá de baixo» ainda eram pouco utilizadas... pelo menos durante o São Miguel!

5 euros:

Cegonha do Vouga disse...

OK...era isso mesmo!
Nessa altura valia a pena ir á festa do S.Miguel...mudam-se os tempos...mudam-se as vontades...mudam-se as mentalidades(algumas)...mas o atrazo nunca muda..pena...nem o S.Miguel nos vale.

emplastro filho disse...

ó cegonhinha do Bouga!!! qué que queres dizer com isso de nessa altura valer a pena lá ir? Tás a falar de apalpar a chicha boa das carnes das raparigas dos tanques ou ser levada a casa pelos cabalheiros garanhões da MURTUOSA carago!? Este ano não vais? Não seja por isso que eu depois no fim da festa vou levarte a casa no meu caminhão TIRO. Mesmo que eu esteja confucio cus copos em meto no piloto automatico. ah ah ah
meu pai é são miguel e minha mãe trabalha na apanha da cebola.

Cegonha do Vouga disse...

Este Emplastro saíu cá um maroto...

A festa, sómente a festa me levava lá, caro Emplastro.
A procissão, a barraquinha da Acadof e apreciar as modas....
Nunca fui para os tanques, e também nunca fui levada a casa por nenhum Fermelanense quanto mais Murtoseiro...
Em resposta á pergunta, este ano vou lá, comprar cebolas...talvez das que atua mãe apanha...e quem sabe provar uns petiscos da Ajaf.

Suinicultor disse...

Era só pa avisar que o tobias já tem um 'magalhães' e vai usa-lo na barraca da AJAX durante o são miguel porque lá só entram porcos com alto padrão de conhecimentos informáticos. No dia da dança do ventre o tobias vai fazer o estudo gráfico da quantidade de saliva e esperma que vai jorrar para o chão e apresentar os resultados em powerpoint 10 minutos após a actuação terminar.

PORCOS SUINICULTOR-'sempre na vanguarda da alta tecnologia ao serviço dos suinos'

rouxinol de Bernardim disse...

S.Miguelé o santo dda fartura.

Bewmvisto,carago