Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

A rena Rodolfo não é uma rena, é um ALCE!

Existem certas micro-ocorrências que acontecem nestas micro-freguesias que merecem sem duvida ficar eternizadas em escrita porque realmente são apontamentos deliciosos típicos do comportamento humano em comparação com o comportamento do reino animal. Por alguma razão somos descendentes dos animais e não da costela do Adão ou da vértebra dorsal da Eva...

Existe um cruzamento na freguesia que costuma ser atravessado diariamente por uma jovem mãe incansavelmente laboriosa. Não vou referir qual o cruzamento em questão porque a senhora tem direito à sua intimidade, mas é um cruzamento onde os semáforos só funcionam para um lado. Não é mãe solteira mas tem um marido tão oco e insignificante que é quase como se fosse. Como diriam os gatos fedorentos "O que é que sucede"?

Ora bem, sucede que sempre que a jovem progenitora está preparada para efectuar a travessia no tal cruzamento, é vastas vezes brindada com um sonoro sinal de buzina de camião. Até aqui nada de mais porque um camionista buzinar a uma "gaja" é um hábito de gerações. Muitos deles até são virados para o outro lado, o lado negro, contudo mantêm este tique intragável porque é uma forma de afirmação perante a sociedade. O GRANDE PROBLEMA é que atrás desse camião vem outro que brinda a moça com um sinal ainda mais poderoso que o primeiro. E no sentido contrário passa outro transporte pesado que consegue buzinar à jovem mãe ainda com mais potência do que aquilo que os dois primeiros camionistas haviam conseguido. Para quem já assistiu a isto, é um momento de pura comicidade e ainda por cima gratuita, muito melhor que ir ao teatro. É fascinante o poder de som daquelas buzinas e ainda para mais cada uma com o seu próprio tom. Naqueles dias do mês em que a jovem mãe "apanha" com 5 camiões seguidos, aquilo parece a 5ª sinfonia de Beethoven. Sendo assim já sabem, sempre que estiverem no interior de vossas casas e ouvirem 5 potentes buzinadelas de veículos pesados, não vale a pena virem cá fora apanhar frio para ver o que se passa porque não é nenhum acidente, é a jovem mãe a atravessar a estrada.

Agora perguntam vocês: -que raio tem isto a ver com o mundo animal? Fácil! Sempre que assisto a este número de circo, "vem-se-me" à memória aqueles fascinantes documentários do Discovery Channel sobre os alces do Alasca, em que as fêmeas apenas copulam com o macho que emite o urro mais potente de toda a planície!!!

Já para os machos cujo urro é muito fraquinho só lhes resta uma solução: -andarem mais 3 km e voltarem a urrar (buzinar) no cruzamento da foto abaixo. Apesar de ser um espaço só para apreciadores, aquelas renas que por lá pastam, já fizeram muitos Natais e vão certamente com qualquer alce que por lá apareça. Portugal é, sem duvida, uma imensa Fermelã...