Quarta-feira, 25 de Março de 2009

A idade da parvalheira não é aos 16. É aos 60!

Regra geral, as conversas entre idosas costumam ser deveras fascinantes e ainda mais fascinante é a forma como duas idosas metem conversa sem se conhecerem de rigorosamente lado nenhum. É verdade! Uma idosa que nunca tenha visto a outra mais gorda é capaz de meter um paleio tal que ao fim de 5 minutos já desterrou toda a situação familiar, tanto o levantamento histórico-cultural dos seus antepassados, como o enquadramento sociológico do panorama familiar do presente e ainda revela estranha mas segura capacidade em prever como irá ser o futuro dos netos e bisnetos de cada qual. Não deixa de ser curioso que as mulheres da 3ª idade revelem este enorme à vontade de interacção social sabendo-se que elas quando são mais novas costumam olhar de soslaio umas para as outras e criticar a indumentária e corte de cabelo mal a outra vira costas. Só que chegadas a esta faixa etária e como as vestimentas de ambas passaram a ser muito parecidas em tons de negro, assim como deixou de ser possível criticar o penteado da outra porque o cabelo praticamente já nem existe e até o marido já cá não anda para que eventualmente a outra idosa o possa roubar, cria-se logo ali um ambiente sadio de camaradagem, com uma pitada de corte & costura e recheado com um leve travozinho a naftalina. Um bom exemplo para comprovar esta tese honoris causa são os missais de domingo. Entre os 30 e os 60 anos, elas frequentam as cerimónias religiosas acompanhadas do marido - e por sinal muito agarradinhas ao seu braço não vá ele a meio da missa escapar com a sacerdotisa para o interior da sacristia verificar se a hóstia está bem temperada - e na hora da saudação na paz de Cristo, apenas beijam o cônjuge na cara e nem passam cartão à colega do lado. Mas assim que atravessam a fronteira dos 60, passam a ir à missa acompanhadas das amigas idosas e o marido esse, ou chega mais tarde ou já nem vem. O momento da saudação na paz de Cristo costuma ser divinal de se assistir no que à 3ª idade diz respeito, porque as idosas que antigamente não passavam cartão à colega do lado, agora são capazes de atravessar 5 filas de bancada - apesar do reumático - só para ir cumprimentar uma conhecida que já não viam desde o casamento do Chico da vacaria. Quando duas idosas se encontram nas esquinas da vida, o tema das conversas geralmente costuma girar em torno da futilidade aplicada e generalizações idiotas. Esta semana, fui achado no local errado à hora errada e tive a sensação prazerosa de acompanhar uma conversa dessa natureza. Tudo começou com uma futilidade aplicada como nota introdutória: "isto está bom é para secar roupa. Esta noite deixei os tapetes na varanda e de manhã estavam todos no chão". Por sua vez, a idosa receptora responde-lhe com uma generalização bastante idiota: "este tempo anda doente. É dos químicos que eles andam a meter". Mas quem serão eles? De onde vieram? O que pretendem de nós humanos? Andam a meter químicos onde? No corpo deles? Ou no nosso? Nisto, surgiu uma forte rajada de nordeste e a conversa mudou imediatamente de tema como é habitual nestas conversas de rua: "e ainda querem o TGV para cá. Deus nos livre desse mal. Até tenho medo de ir ao pasto para o gado e passar por mim uma coisa dessas". Já não são só os comunas que têm a fama de comer criancinhas ao pequeno almoço. O TGV pelos vistos também revela um apetite voraz por agricultoras que costumam "ir" ao pasto...No entanto, o assunto mais vezes trazido a debate é o estado da saúde em Portugal e a melhor afirmação do tal colóquio de rua foi esta: "eu uso sempre o elevador do apeadeiro da estação de Canelas porque a minha asma não me deixa subir escadas". BRILHANTE! Em primeiro lugar fiquei a saber que o local onde param os comboios em Canelas é apeadeiro e estação ao mesmo tempo. Apeadeiro para quem é da 2ª classe e estação para uso da franja EXECUTIVA da freguesia, com certeza. Em segundo lugar, este exemplo das escadas escolhido a dedo para demonstrar o grau de debilidade física da pessoa, é a todos os níveis notável. Acima disto só se fosse um exemplo do tipo: "eu só não fui à maratona de Lisboa porque a minha asma não me deixou" ou então "sinto que era capaz de praticar sexo 7 vezes por noite não fosse a minha terrível situação asmática". Graças a Deus que quando é para ir em peregrinação politica até à pista de baile do Santoinho a asma das nossas idosas desaparece, ou dá tréguas durante umas horas...

Outra questão que vem sempre a lume nestes ajuntamentos é o futuro dos netos, diz uma idosa inconformada: "que país este! Que miséria de país este!! Tenho uma neta na "unidiversidade" a estudar físico-química-ciência-gestão-de-empresas e não sei o que vai ser dela um dia". Bom, certamente que haverão casos mais dramáticos que o desta neta. Se ela tem disponibilidade horária, financeira, mental e física para frequentar tantos cursos distintos ao mesmo tempo, não lhe será difícil arranjar qualquer coisa no mercado de trabalho, quanto mais não seja como ajudante de cabeleireira, que é onde costumam acabar estas sobredotadas netas multi-licenciadas que enchem de orgulho as avós babadas que passam o dia a orar por entre becos e esquinas de Fermelã...

5 euros:

emplastro filho disse...

ACHO QUE FOI O TGV QUE LEVOU AS ROUPAS DA VARANDA DA SENHORA DONA IDOSA. ISSO ACONTECE MUITO PORQUE UMA VEZ ESTAVA A DEFECAR ATRÁS DE UM SINAL DOS COMBOIOS E PASSOU UM TGV QUE ME LEVOU O PAPEL ALUCINOGÉNICO. OLHA DEPOIS TEVE QUE SER A LIMPAR COM URTIGAS. ARDEU UM BOCADO AO INICIO MAS DEPOIS SENTI-ME MUITO MAIS FRESCO. ACHO QUE TODAS AS PESSOAS DEVIAM TODAS EXPERIMENTAR ATÉ PORQUE AGORA O GOVERNO ESTÁ A DAR APOIOS NESSE SENTIDO UMA VEZ QUE NOS TRATA A TODOS COMO MERDA SECA.

Suinicultor disse...

Urtigas não, mas já cheguei a limpar o cagueiro dos meus suinos com tiras de rosmaninho perfumado. E quando não se encontram folhas de rosmaninho existe sempre um jornal do lidl à mão.

uh uh uh uh uh

Duquesa do Cadaval disse...

Ajudante de cabeleireira o camandro!!!! Porque no meu laboratório de análises capilares não faço distinções entre licenciadas e ninas sem canudo. Para mim o que conta é o trabalho, o empenho, a habilidade com as tesouras e a desenvoltura para fazer desaparecer os vasos capilares que jazem no chão em menos de um piscar de olhos. Tambem prezo a educação e a honestidade. A minha caixa registadora está sempre aberta no balcão porque confio em quem trago cá no salão a trabalhar. Isto não é como noutros ramos da freguesia onde empregados roubam patrões mas nestas coisas ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

alpenmax disse...

alguem me pode dizer porque e que a miuda da foto esta a comer o caroco da banana?

mfg

Alien disse...

Se calhar é porque não tem nada melhor para trincar...