A freguesia e região de Fermelã situa-se no litoral centro português junto a uma das línguas da Ria de Aveiro que emana do Canal de Ovar e subdivide-se em 5 áreas administrativas: lavadouro da Igreja, que absorve toda a zona sul da freguesia (Barrocas, Cruzeiro, Avenida, Ventosa, Brejo, Camartéis e Arneiro); lavadouro da Corga que faz o ponto da situação de toda a zona oriental (Lameiro, Deveza, Matinho, Terra do Monte, Oliveira, Ribeiro, Prazeres, Botelho, etc); Paços da Junta que representa toda a franja populacional que habita as bermas da EN109 (Lagoeiro, Cachos, São João, São Roque, Arrais, etc); Condado do Vale, a maior rua interior da freguesia que se estende desde o largo do falecido Arrais até à nova marina de Canelas; e finalmente Enclave do Roxico, pequena zona autónoma que se rege pelas suas próprias regras e não está dependente do poder central de Fermelã. Existe uma 6ª área cível, a Pisca, que ninguém sabe a que administração pertence e ainda hoje é motivo de acesa polémica quando se fala da Pisca no café.
O clima é temperado, com Invernos medianamente pouco rigorosos e Verões onde é costume fazer sol. O regime politico instituído é a Republica, embora por vezes se assemelhe a uma monarquia, porque é preciso acabar o prazo de validade do detentor do ceptro para que venha outro substitui-lo.
Dizem os peritos da etimologia que o termo “Fermelã” deriva do latim “Ferme” que significa “Granja”, embora estudos recentes relacionem “Fermelã” com a expressão derivada do francês “ferme-la (...) port” que é nem mais que a frase mais vezes escutada da boca do Dr. Esteves sempre que lhe entramos pelas entranhas do consultório adentro.
A língua oficial é o fermelanense, embora nos lavadouros e postos do leite se possam praticar dialectos alternativos como a língua de víbora no 1º caso e a língua de vaca no 2º.
A religião predominante é o catolicismo, com cerca de 95% de abrangência sobre a população, embora os praticantes oficiais e conhecidos não passem dos 20% e sejam sempre os mesmos. Depois existem pequenas facções que não são contabilizadas para fins estatísticos, que se dizem católicos, mas quando se zangam com o padre vão dar uma volta por outras religiões não reconhecidas pelo Vaticano, acabando por regressar ao fim de alguns meses. Também estão detectadas pequenas percentagens de ateístas, uma minúscula comunidade Jeová e uma mísera parte que faz da tasca a sua crença religiosa.
A moeda corrente é o EURO e o método de pagamento mais usual é o calote de mercearia. As trocas comerciais entre comadres amigas são geralmente feitas em géneros, nomeadamente a exportação de leguminosas de produção doméstica. A comadre “X” oferece grelo do seu quintal à comadre “Y”, que por sua vez retribui com pepino caseiro.
Fermelã é uma zona física de baixa altitude, excepto nos lugares de Ventosa e Alto-Roxico, onde as altitudes podem ascender aos 50 metros de elevação acima do Atlântico. É frequente encontrar residentes dessas duas povoações com dores de cabeça, fruto da falta de irrigação do cérebro devido à ineficaz oxigenação das células.
Em termos de localização geográfica, Fermelã dista 7 Km de Estarreja - capital de concelho e cidade com “c” pequeno - e 12 Km de Aveiro - capital de distrito e Cidade com “C” grande. O enquadramento geográfico de Fermelã permitiu-lhe que até meados do século XIX tivesse um grande desenvolvimento através da intensa labuta nas marinhas de sal e na produção e exportação de arroz. Durante essa altura, toda a freguesia era um enorme turbilhão de compra e venda de especiarias e géneros alimentícios, sendo das freguesias mais concorridas por comerciantes e almocreves. Reflexo disso é a expressão “vender gato por lebre” que foi acompanhando as gerações vindouras e ainda se mantém actual nos dias de hoje.
Fermelã foi durante uma parte da sua existência pertença integral de Angeja, o que motivou uma degeneração no sangue puro do nativo fermelanense. Isto pode ser comprovado nos vestígios embrionários de aborígenes que ainda restam em solo fermelanense, fruto da copulação e respectiva troca de genes com os “Australopithecus Ranssossus” de Angeja. Décadas mais tarde, construíram uma Auto-Estrada entre as duas freguesias e essas interacções celulares entre membros dos 2 clãs deixaram de ser tão evidentes e facilitadas. Felizmente para o futuro e bom nome da raça ariana fermelanense.
A povoação de Fermelã supõe-se bastante antiga, pois foram encontrados depósitos de embarcações medievais no fundo do esteiro do Carregal aquando do I assoreamento. Numa dessas embarcações de estilo tipicamente romano foi encontrado um esqueleto humano com um relógio de pulso da OMEGA parado nas 02h14 AM, o que nos faz acreditar que já naquela altura os assaltos ao património da freguesia eram praticados sempre após as 2 da madrugada. Ainda resultante da colonização romana é possível encontrar na freguesia diversos monumentos legados pelos pupilos de Julius Caeser, a saber:
- uma ponte romana com 1,78m de comprido por 76 cm de largura, por onde os romanos faziam a travessia para o monte da Lavandeira sem terem necessidade de molhar os pézitos no lodo do Rio dos Ameais, o maior rio continental da freguesia com 4,2 Km de extensão e uma profundidade média anual de 26 cm, excepto no Verão quando o Rio deixa de correr;
- um moinho de estilo barroco, sensivelmente na mesma zona da ponte romana, onde se supõe que os romanos escravizavam os antigos fermelanenses com 20h diárias de trabalhos forçados, muitas das vezes a troca de um naco de pão bolorento e uma tigela de água tirada directamente do rio. Vá lá que pelo menos a água do rio era límpida e potável, porque os romanos ainda não tinham inaugurado as vacarias;
- ainda do que resta da ocupação romana é possível vislumbrar no lugar do Cruzeiro, vestígios de ruínas daquilo que eram as antigas instalações do coliseu desportivo onde os romanos se divertiam a organizar sangrentas batalhas entre gladiadores escravos fermelanenses em lutas até à morte. Séculos mais tarde a ACADOF pegou nas ruínas para fazer a sua sede oficial mas o melhor que conseguiu foi abrir ainda mais brechas nas paredes;
Os mouros também marcaram presença nestas terras. Reza a lenda que a igreja matriz foi erguida pelos antigos fermelanenses sob um cemitério mouro, após uma batalha épica em que os mouros eram em triplo mas foram derrotados pela astucia bélica de El Rei D. Luzio. Contam as Escrituras que El Rei D. Luzio disfarçou-se de carteiro que entrega o jornal do LIDL para assim penetrar nos domínios da mouraria e conseguir identificar os pontos fracos dos residentes, nomeadamente a que horas é que os mouros se ausentavam das tendas para irem ao café. El Rei D. Luzio foi no entanto vitima da sua ganância e na ânsia de conquistar cada vez mais poder e riquezas, foi apanhado em flagrante a roubar os tabuleiros destinados ao cortejo das pastorinhas e acabou chacinado pela própria população. Séculos mais tarde, o fantasma de D. Luzio regressou novamente travestido de carteiro para se vingar de todo este povo que o tinha assassinado a sangue frio. Como se não bastasse, a igreja matriz, que era para ficar baptizada como “igreja de São Luzio”, acabou por ser renomeada como “Igreja de São Miguel”, padroeiro da freguesia.
São Miguel é o patrono da freguesia de Fermelã e considerado pela Bíblia um anjo de nível superior. Só um anjo deste gabarito poderia ter curriculum suficiente para abençoar esta freguesia. Consta que foi ele que afugentou com a sua balança as criaturas demoníacas que pela calada da noite se esgueiravam para fora da toca e semeavam o pânico em redor das habitações. Em honra e agradecimento a São Miguel, o conceituado Miguel Ângelo - não o dos Delfins - pintou um fresco que é possível apreciar na parede interior da igreja matriz. Séculos mais tarde, veio-se a descobrir que essas criaturas com o dedo do demónio que atacavam as casas das pessoas pelo sombrio da noite, eram nem mais que raposas famintas a tentar entrar nos galinheiros domésticos. É por isso que muita gente acha que a balança de São Miguel que aparece no brasão da freguesia deveria ser substituída por uma caçadeira.
O brasão da freguesia é de criação recente e inspira-se na beleza e harmonia dos nossos campos rurais, daí o verde como ambiente de fundo. Para além da já citada balança de São Miguel, inclui ainda um pato Adem macho, muito típico por estas bandas, especialmente em dia de caça e um curso de rio que se supõe ser afluente do Rio dos Ameais. A avaliar pela cor do regato, a nascente deve ficar perto de alguma central de gado.
Para além do já citado D. Luzio, outro nome da cultura e recreativismo se destaca entre os demais, o incontornável criacionista de azulejaria Manuel “Siza” Sábio. Grande responsável, entre outras obras, pelo restauro da Fonte da Fata, uma das fontes mais famosas da freguesia apesar de não deitar água. “Siza” também restaurou a capela de São Tomé no lugar de Outeiro, restaurou a própria parede da sua casa que dá para a rua e acabou agora mesmo de alindar a fachada da entrada Topo Norte da Quinta da Barroca, até porque na fachada Topo Sul já não há nada a fazer, excepto uma demolição a custos controlados.
Ainda na temática fontanários públicos que não deitam água, um dos maiores enigmas da terra prende-se com o fontanário localizado em pleno largo da Nª Srª da Memória, fontanário esse que possui uma roda gigante a fazer lembrar a Feira Popular. O mistério prende-se com a data lá gravada “1861-1935”. Não se sabe de quem se trata e nem sequer se sabe se a alusão é referente a um ser humano ou a um eventual animal que tenha sido importante dentro do conceito histórico-cultural de Fermelã. Apenas se sabe que a criatura viveu durante 74 anos, o que é uma boa esperança de vida para aquela altura.
À semelhança das Caraíbas, Fermelã também possui um triângulo das Bermudas, compreendido entre os vértices “Café Abreu-Pastelaria Orquídea- Posto Médico”. É uma zona bastante instável do ponto de vista social e quem tiver o azar de sobrevoar esse triângulo terá que estar preparado para grandes vagas de turbulência no capitulo da apreciação do traje, do penteado, do peso corporal e toda a forma física em geral.
Fermelã é também bastante rica em associações culturais, desportivas e sociais. Elas existem embora uma esteja morta, outra esteja defunta, outra está à espera de ser ressuscitada e ainda outra encontra-se em hibernação anual. Apesar disso, a associação mais pujante continua a ser a ACRR (Ass. Cultural e Recreativa do Roxico), mas como eles são monoteístas de São Bartolomeu e nunca colaboram nas festas do padroeiro-mor São Miguel, o povo de Fermelã faz de conta que os fulanos do Roxico não existem...
Fermelã é equipada de variadíssimos equipamentos de inserção social. Um infantário onde só trabalham funcionárias afectas ao PS - certamente para contrabalançar a maioria PSD da Junta de freguesia -, um ATL onde as auxiliares que se esqueceram da chave trepam pelo muro contíguo dando assim um bom exemplo à pequenada, um centro de ocupação da 3ª idade lá para as bandas do Roxico, uma escola primária que se transforma em cabine de voto quando se aproximam as eleições e um parque de jogos patrocinado pelo BES que tem à sua entrada um dístico a informar que está habilitado para receber torneios de futsal para portadores de deficiência motora. Fermelã é um mundo por descobrir e uma mina de ouro que ainda está por escavar. Não perca mais tempo, marque já a sua passagem e passe um Verão excepcional e inesquecível por terras do Grã Regedor Manuel Lima Freire.
"Fermelã - Vá para dentro cá fora!"
8 comentários:
Por falar em infantário sabem-me dizer quem é o Presidente! É que eu queria meter uma cunha para eu ir para lá trabalhar. Mas se me disserem que é uma tal Claudia Macedo pronto está tudo estragado porque eu não alinho com politiqueiros de meia tijela e ainda por cima não pertencem a esta Freguesia; mas isso é normal nesta Freguesia o que é de fora é que bom
O presidente do sanitário de fermelã é a claudina maceda? Então não era o Anível Silva?
Se as eleições fossem feitas no sanitário de fermelã o PS ganhava com maioria absoluta?
Os requisitos para trabalhar no sanitário de fermelã é saber o hino do PS de cabeça?
Que o Siza Manuel Sábio tem talento com o azulejo já todas nós sabemos mas para chegar ao nivel dos grandes criadores já só lhe falta ter menos peneiras especialmente quando passa pelas senhoras.
Ok, duquesa, venha ter comigo!
Se fosse eu a remodelar a fonte da fata teria projectado uma pala para proteger da chuva e assim o trotamontes do peugeot já lá o podia deixar estacionado já que não tem autorização para guardar dentro de casa. O trauma é tão grande que deve ser por isso que anda nas ruas contra a mão. Ou então é do sumo.
loool
mas o meu marido não é bebado!!!
isso são merdas que lhe dão para beber !
Terra muito antiga, conheço de passagem mas posso dizer que é um local bastante tranquilo como eu gosto.
Com vários monumentos a visitar ainda continuam a dizer que fermelã não tem nada e sempre a queixar-se.
merda para quem não está contente e se possível as paletes pois assim enchem mais a boca e não dizem besteiras.
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