Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Tentativa de burla abortada graças ao peixe

O titulo desta entrada pode à 1ª vista parecer confuso mas o insólito conta-se em algumas linhas de prosa. Há que dar a mão à palmatória pela peixeira de Fermelã, tantas vezes criticada noutras alturas por deixar o veiculo colado no alcatrão contra-a-mão ou no centro de um cruzamento perigoso enquanto tenta vender o seu peixe. Se não fosse ela com toda a sua astúcia provinda de muitos e muitos anos a distinguir a boa cavala da sardinha moída, a esta hora mais um cidadão ingénuo de Fermelã estaria a fazer contas à vida, burlado pelos vampiros que desta vez não eram da Segurança Social, mas sim das Tele-Vendas. O logro era simples e ia dando resultados práticos. Os senhores de "bom aspecto" foram bater ao portão de um conhecido cliente diário do café "Portal", café para o qual necessita atravessar a estrada a cada inicio de tarde. Café "Portal" que nem sempre é bem frequentado e no interior do qual o idoso deve ter dito alto e bom som, para terceiros ouvirem, que guardava grandes somas de dinheiro em casa e não tinha medo de qualquer tipo de intrujões que lhe aparecessem porque ele lia as noticias e sabia muito bem como se defender.
Esqueceu-se foi é que os intrujões quando nos batem à porta vêm impregnados daquele tempero que metem nos porcos no espeto e mesmo que queiramos dizer que não, há sempre algo que nos impele a fazer a vontade a essa gente.
...tanto aos intrujas como aos políticos!
E assim foi numa destas manhãs da corrente semana. Desta vez o motivo da visita dos aldrabões - agora estamos a falar dos burlões e não dos políticos - era uma suposta encomenda que um dos filhos do ingénuo viúvo "havia pedido" e cabia ao progenitor, na ausência do filhote, pagar a encomenda e "depois acertaria contas" com o filho. O heptagenário começou por desconfiar mas assim que os vigaristas o aspergiram com porções de óleo de barrar o porco, ele não resistiu mais e preparava-se para ir ao interior da moradia buscar uma quantia estimada em aproximadamente 600 euros.
Por sorte apareceu no horizonte da rua a peixeira salvadora que lhe veio abençoar o dia e as poupanças. Onde estava Deus, Jesus, São Miguel e o Padre da freguesia? Pois... teve que ser uma mera peixeira a salvar o nosso conterrâneo. Da próxima vez, antes de enviarem o vosso dinheiro para a Santa Comissão da Paróquia, que já tem muito, comprem mas é 5 kilos de peixe a esta verdadeira HEROÍNA das nossas ruas.
E como salvou ela o idoso?
Pois bem, a peixeira já conhecia de cabeça um dos meliantes por eles terem andado a (tentar) burlar idosos noutros pontos do concelho. Num misto de coragem, galhardia e alguma loucura, emitiu logo um potente sinal sonoro com a sua buzina e trouxe o idoso de volta à razão, impedindo-o de ser mais um a cair no conto do vigário e assim ter uma valente história para contar aos netos. Sem temores de qualquer ordem, a peixeira abeirou-se dos impostores e ameaçou-os: -vocês vão embora ou telefono à judiciária!!!
Os burlões entraram em pânico e nem sabiam onde se meter. Se numa terra de milho, se num poço de irrigação, se num molho de feno e desapareceram da rua tão rápido como haviam aparecido, graças à fúria incontrolável desta verdadeira distribuidora de carapau. Com cara-de-pau deve ter ficado o idoso viúvo que nesse dia deve ter comprado todo o carregamento de peixe fresco que a senhora trazia na geladeira, como forma de agradecimento eterno pelo oportuno aparecimento e boa acção prestada. Graças a Deus... Graças a Deus, Não! Graças à peixeira! Graças à peixeira que ainda vamos tendo estas patrulhas diárias para nos proteger de quem nos quer mal, já que as outras patrulhas ditas da autoridade não se conseguem proteger elas próprias quanto mais aos outros.
E como seria a frase utilizada para fazer dispersar os vigaristas, caso fosse outra pessoa qualquer em vez da peixeira?
Se fosse um candidato à junta a acudir o idoso seria: -vocês vão embora ou vão assar no espeto!
Se fosse o Padre: -vocês vão embora e o Senhor vos acompanhe!
Se fosse Sílvio Marques: -vocês vão embora de tudo menos comboio!
Se fosse o presidente da Ass. Freguesia: -vocês vão embora que eu também já fui!
Se fosse uma artista local conceituada: -vocês vão embora e levem o nome de Fermelã lá fora!