Sílvio Marques foi o último presidente de junta a ser confrontado com as perguntas “incómodas” das “melgas” do Jornal de Estarreja e da Rádio Voz da Ria. Está um presidente tão descansadinho em casa no sofá, com as pantufas enfiadas nos pés, a assistir pela milionésima vez à Praça da Alegria com todos aqueles convidados encantadores e tem que vestir o casaco, engraxar a botinha, colocar a boina e deslocar-se da pacata aldeia até à grande e caótica cidade de Estarreja. Sílvio Marques foi o último dos 7 entrevistados, mas o mais antigo em exercício, já que desde antes do 25 de Abril de 74 já ocupava o cargo de escrivão. É pois a pessoa indicada para nos falar um pouco da história de Fermelã, pois viveu-a toda, desde a sua fundação pelos mouros, passando pelas Cruzadas, invasões napoleónicas, terramoto de 1813 que devastou 90% da freguesia, implantação da República, chegada das vacarias e mais tarde dos blogues e a eleição de um CDU para a assembleia de freguesia, algo que deixou Sílvio Marques extremamente irritado, porque não foi para isto que ele andou uma vida inteira a servir(-se) Fermelã. Vamos então passar à análise das problemáticas mais quentes da actualidade:
JE: Antes do 25 de Abril, já tinha oito anos de escrivão da Junta de Freguesia. Estar mais de 30 anos ligado a uma Junta não é tempo demais?SM: São de facto muitos anos. Uma pessoa depois de entrar vai estando, não só por vontade própria, mas pela população.99%: Eu aqui gostaria de acrescentar outro dado que me parece estar umbilicalmente associado a esta questão dos 30 anos. Para além da vontade própria e também da vontade popular, que certamente terão a sua quota parte de importância, há que destacar por igual o porco no espeto realizado a cada 4 anos. Esse sim, tem desempenhado um papel fulcral na continuidade da espécie. Sem porco a rodar no espeto a cada semana anterior às eleições, duvido muito que Sílvio Marques tivesse feito da casa da junta a sua 2ª residência.
JE: Que diferença nota na freguesia nas últimas três décadas?
SM: São algumas. Se fosse a enumerar seriam muitas, principalmente na parte de ruas. Tínhamos só vielas e ruas estreitas. Agora, praticamente não temos necessidade urgente em alargamentos. Fez-se tudo o que se podia fazer nessa parte.
99%: Mal era se em 3 décadas de democracia as vielas da freguesia não tivessem sido alargadas, aliás, a largura das ruas de qualquer terra vai aumentando consoante o tamanho do animal que delas faz uso e Fermelã não é excepção. Há 30 anos eram carreiros tão estreitos que só dava para passar uma cabra de cada vez, há 20 já tinham largura suficiente para passar uma vaca, há 10 transformaram-se em autênticas vias rápidas para bisontes a tractor e hoje em dia até mastodontes a bordo de camião TIR circulam no centro histórico da freguesia.
JE: Quais foram as grandes obras que a freguesia recebeu que foram importantes para o seu desenvolvimento?
SM: Não temos uma obra que se destaque verdadeiramente. Foram mais uns arruamentos e a sede da Junta de Freguesia.
99%: O quê!? Então e a casa mortuária!? Esse "ex-libris" da freguesia que tantas páginas de boletins de propaganda encheu e que continua a dar pano para mangas apesar de já ter sido inaugurada há 4 anos!? Um monumento que foi, na altura, considerado uma dos mais modernos a nível do que melhor se faz por essa Europa fora!?
RVRIA: Que obra o vai marcar?
SM: A Casa Mortuária, porque era uma urgência e uma necessidade.
99%: Ahhhhhhh!!! Já estava a ficar assustado!!!
SM: Custou-nos bastante dinheiro. Está a dar excelentes resultados, obviamente só para os que morrem. Tem tido uma boa adesão e valeu a pena ter feito a obra, atendendo ao que mais modernamente se exige. Os funerais estavam a sair de casa ou de uma capela que tinha más condições, era pequena e precisava de conservação. Agora as pessoas têm condições melhores para acompanharem o falecido até à última morada.
99%: Este parágrafo do presidente tem tantas afirmações engraçadas que nem sei por onde começar. Em primeira instância, gostaria de referir que a casa mortuária não é a ultima morada, mas sim, a penúltima! Em 2º lugar, devo dizer que me alegra particularmente que a casa mortuária esteja a dar “excelentes resultados” e a ter uma “boa adesão”. É sempre um regozijo quando morre alguém na freguesia, porque sabemos que o falecido vai encontrar condignas e asseadas condições para a elevação aos céus. Antigamente é que era uma vergonha, pois uma pessoa para além de morrer, ainda ia encontrar como penúltima morada, uma capela com péssimas condições, deploráveis mesmo, tanto em matéria de iluminação interior, como a nível da ventilação. Recordo com indignação, um funeral realizado na extinta capela de São José, onde um familiar foi visto a fumar no interior da capela mesmo ao lado do morto. Lamentável...
JE: Estamos a falar de obras do passado. E obras para o futuro?
SM: O futuro já não vai pertencer a mim. O que falta, e é muito urgente, é uma pequena zona industrial. Há anos que falo nisso e tem sido sempre "pregar no deserto". Têm aparecido pessoas interessadas em instalar oficinas de mármores, oficinas de carros e de outra coisa qualquer. Seriam bem vindas indústrias pequenas, que levassem sete ou oito empregados. Era muito bom para a freguesia.
99%: É pena que o mesmo tipo que tem andado a “pregar no deserto” pela criação de uma zona industrial, não se tenha lembrado, aqui há uns anos, de criar na freguesia uma zona “vacal”, bem longe das residências familiares, na vez de ter assinado as autorizações para as mesmas se instalarem paredes meias com as casas de cada um. Isso é que seria “muito bom” para a freguesia, mas não convém levantar muito estrume acerca dessa questão, até porque os donos das vacas e todo o lobby do leite, representa quase 50% do eleitorado fermelanense...
JE: Fermelã não está a beneficiar da ligação que tem à A25 e a Aveiro?
SM: Não se nota. Continua a perder casais jovens. Vão para Aveiro, Albergaria, Ovar. Está em causa a despesa de transporte.
99%: Não dá para compreender como é que as pessoas vão viver para Aveiro, Albergaria e Ovar, com uma casa mortuária tão bem equipada como a nossa e uma dúzia de vacarias tão apetrechadas e com tantos postos de trabalho para oferecer!? Vá-se lá perceber as pessoas!!!
JE: Para quem trabalha em Aveiro, Albergaria fica mais longe que Fermelã. O PDM não evoluiu no sentido de se construir mais na freguesia?
SM: Não. Há muita casa desabitada ou em ruínas. No resultado dos últimos censos, verificou-se uma perda de mais de 100 pessoas, e nos próximos censos vamos ter, de certeza, a perda de mais gente.
99%: Se por cada 100 pessoas que abandonam a freguesia, 90 forem do PSD, 9 do PS e 1 da CDU, compreendo perfeitamente a gravidade da situação...
RVRIA: Faltam atractivos para as pessoas se fixarem na freguesia?
SM: Poderá ser. Mas só não tem comboio, de resto temos tudo. Cada um tem as suas preferências.
99%: Temos tudo e mais alguma coisa, inclusivamente, uma farmácia que está para chegar, mas que ainda não chegou, embora saibamos que está para chegar, apesar de ainda não ter chegado. Sobre as preferências de cada um, elas podem passar por não quererem ter filhos a frequentar uma escola primária que dista 50 metros de uma vacaria. O que falta em atractivos, sobra em estrume!
RVRIA: Sendo a freguesia mais a sul do concelho, acha que por vezes é esquecida?
SM: Não considero isso. A minha experiência diz que não é esquecida. Um ano chove mais para um lado, no outro ano chove mais para o outro. E, no fim, chove para todos os lados.
99%: Não fosse Fermelã considerada o “Alentejo” do município estarrejense e esta afirmação de Sílvio Marques até teria a sua lógica. O problema é que no concelho de Estarreja, chove sempre para norte e o sul chega a atravessar períodos de seca extrema. E quando, muito raramente, lá calha chover para os nossos lados – e da ultima vez choveram 500.000 euros – o solo sequioso absorve essa chuva em segundos e não existe a mínima hipótese de saber a quem ou o quê, essa chuvada veio beneficiar.
JE: Fermelã, e utilizando as suas palavras, tem apanhado alguma dessa chuva? Já tivemos presidentes de Junta que se queixaram de haver preferências por algumas freguesias.
SM: Cada um sabe dos seus males. Não sei o que se passa nas outras freguesias. Fomos os primeiros a ter água e saneamento. Não vejo motivos para dizer que Fermelã tenha ficado para trás.
99%: É precisamente o contrário! Fermelã está muito à frente no seu tempo...
RVRIA: Ao longo de todos estes anos como têm sido as relações com a Câmara Municipal?
SM: Boas. Mesmo quando a câmara não era do meu lado político, fui sempre respeitado e respeitei sempre quem lá esteve. Sempre que bati à porta fui sempre atendido, a menos que não houvesse esmola para me dar.
99%: Tudo corre sobre rodas em Fermelã. Temos uma freguesia que é a mais evoluída do concelho, temos gente no executivo da junta com rasgo e grande visão de futuro, possuímos uma execução autárquica acima da média, investimentos empresariais principescos, qualidade de vida superior para criar os filhos, transportes públicos a toda a hora e minuto, em suma, uma freguesia da qual as diferentes câmaras sempre nos trataram como a uns filhos predilectos.
JE: Fermelã é considerada um dos bastiões do PSD no concelho de Estarreja. Ainda continua a sê-lo?
SM: Já foi. Agora não.
99%: Está confirmado! As 100 pessoas que abandonaram Fermelã nos últimos censos, eram esmagadormente do PSD.
JE: Terá sido pelo PCP ter conseguido introduzir um deputado?
SM: São evoluções que custam muito a entender. Nota-se bastante gente de outros partidos. Os fiéis que garantiram as maiorias absolutas já morreram quase todos. A malta nova já se distribui mais.
99%: “São evoluções” que realmente só mesmo o professor Marcelo é capaz de explicar a nós leigos de nascença. Eu aqui até acho que o problema não será tanto da malta nova “se distribuir mais”, politicamente falando. A questão é que hoje em dia existem os cafés, a Internet, os cinemas, o surf, a namorada, etc, e é muito complicado que um jovem consiga tirar algum do seu precioso tempo para ir a um porco no espeto onde costumam ser apresentadas as linhas gerais do programa eleitoral dos partidos. Por outro lado, deixou-se de facultar o serviço particular de táxi destinado exclusivamente a eleitores do PSD, o que possibilita uma pequena, mas notória, aproximação dos partidos de esquerda, cujos eleitores se deslocam ao local do voto pelo seu próprio pé, conta e risco. Também se deixou de arrancar os cartazes políticos que não tinham as cores do PSD, o que ajudou bastante, na medida em que os eleitores ficaram a saber que, afinal, havia mais gente a concorrer à junta, que não os do costume. São estas pequenas "evoluções", que por vezes, fazem a diferença...
JE: Há quatro anos não contava que o PCP conseguisse eleger um deputado em Fermelã?
SM: Foi para mim uma surpresa. Nada tenho contra a pessoa, mas fiquei surpreendido.
99%: Estas “evoluções” são mesmo engraçadas. Na altura, chegou-se a ouvir em surdina pelas esquinas da freguesia, que Sílvio Marques ficou bastante chateado e com vontade de renunciar ao mandato e que só a muito custo e insistência por parte dos subordinados, é que lá veio a acatar o resultado. Era preferível casar uma filha com um Ayatollah bombista do que partilhar a mesa das reuniões com um militante CDU.
JE: Um dos problemas que Canelas e Fermelã têm em conjunto é a bacia de retenção da SIMRIA. A Junta também é contra a instalação no local em que está previsto?
SM: Estamos contra porque já tem material que desagrada e trazer mais é pior. Mas também me preocupa se a SIMRIA não consegue implementar o que deseja e fica na mesma o risco. Quando houver uma situação semelhante, a quem é que nós nos vamos queixar depois?
99%: Mas Sílvio Marques e a junta de freguesia, por acaso, alguma vez na vida fizeram queixa de algo que apoquentasse a freguesia e seus moradores? Posso estar enganado, mas que me lembre...
JE: A bacia de retenção devia ser construída noutro local?
SM: Talvez sim. Não posso dizer exactamente o local mas para ali não desejávamos. Tem casas perto, é uma área bonita.
99%: A bacia de retenção não pode ser construída ali porque “tem casas perto”, mas as vacarias deram para ser construídas no meio da freguesia, porque aquilo que aqui existe não são casas, são palheiros para abrigar gado humano.
RVRIA: Já manifestaram a vossa posição junto da SIMRIA?
SM: Estamos na comissão de acompanhamento que está contra a construção da bacia de retenção. Somos seis pessoas, três de Fermelã e três de Canelas. Esperamos conseguir mudar o local. Como está projectado está muito triste e muito desagradável.
99%: É pena é que a comissão de acompanhamento ainda não tenha reunido nenhuma vez e também é pena que se não fossem os deputado da oposição, Daniel Batista e José Ribeiro a inteirarem-se da situação, a junta de freguesia de Fermelã, nada saberia...
RVRIA: Qual seria a obra que gostaria de ter feito e que não chegou a fazer?
SM: Há várias pessoas que têm solicitado um Parque de Merendas. Vale a pena avançar com essa ideia. Espero ainda este ano dar o primeiro passo.
...
SM: ...Canelas está a fazer o parque de merendas...
...
99%: Aquele que parece ser um pequeno salto para Fermelã, está na verdade, a revelar-se um gigantesco passo para Sílvio Marques. Canelas, que recebeu da câmara metade do orçamento que foi disponibilizado para Fermelã, está a fazer um parque de merendas, enquanto Fermelã, com um “budget” muito mais favorável, ainda está a estudar qual a perna que primeiro se deve mover para efectuar o primeiro passo.
JE: Uma obra que a autarquia fala muito, passa pela construção de um Centro Cívico em Fermelã. A ideia não passa de palavras ou já há alguma acção?
SM: Há vontade de o fazer. Mas não há mais que isto.
99%: Nesta freguesia, a “vontade” de fazer costuma mover montanhas. E não só! Também dá votos! Enquanto noutras paragens se avança com a obra, aqui, há “vontade” de a fazer. Temos “vontade” de fazer um parque de merendas. Temos “vontade” de fazer o centro cívico. Existe “vontade” em criar uma zona industrial. Logicamente que numa junta onde haja tanta “vontade”, é normal que os seus eleitores premeiem essa “vontade” com o voto. É assim há 30 anos.
RVRIA: Para que local?
SM: Na Avenida da Igreja. É uma forma de revitalizar o local.
99%: Assim que a “vontade” passar da cabeça para o terreno, lá para as eleições de 2013, convém não esquecer de criar uma área para parqueamento de "roulottes" e uma zona VIP para acolher os frequentadores do motel das 6ªas feiras à noite com toda a comodidade.
JE: Fermelã é rica em blogs. O Fermelanidades é um dos blogs mais concorridos e com mais chamadas de atenção à junta. O blog incomoda a Junta de Freguesia?
SM: Não. Pouco tenho visto disso e não perco tempo com essas coisas. Isso não leva a lado nenhum. Faz lembrar as cartas anónimas do tempo da D. Maria de Lurdes Breu. Se as cartas anónimas fizessem algum trabalho, ela tinha o trabalho todo feito no concelho de Estarreja. É só uma questão de palavreado. Deviam chegar cara a cara e é uma forma de ajuda. As ideias não são todas iguais. Dar ideias pela Internet... não estamos em tempo disso. Não sei quem é a pessoa, nem o mérito que ela tem. Habilidade tem alguma, para fazer o que faz, mas se vale alguma coisa como pessoa, isso não sei.
99%: Esta resposta está genial e tem muito que se lhe diga. Vamos por partes:
Em 1ª mão, o nosso presidente está muito bem informado acerca dos conteúdos do blogue, para quem não perde tempo “com essas coisas”.
Depois, toda a gente sabe que Sílvio Marques é um presidente de poucas palavras e que foge ao discurso como o diabo foge da cruz e os vampiros do alho, mas é com algum orgulho que reparo que foi na questão do blogue de Fermelã que Silvio Marques deu a resposta mais extensa, aprofundada e elaborada, de entre as mais de 20 questões que lhe colocaram. Ora vejam lá se isto não é demonstrativo da importância que o nosso presidente dá ao blogue? Sendo assim, é justo retribuir-lhe na mesma moeda e dedicar-lhe mais alguns caracteres.
A seguir, não sei que raio é que a Maria de Lurdes Breu tem a ver com Fermelã, o blogue de Fermelã e os problemas de Fermelã, para ser para aqui chamada. Se ainda fosse alguma coisa de jeito!?
E para terminar em beleza: “Dar ideias pela Internet... não estamos em tempo disso”. Numa era em que milhões de pessoas nos 4 cantos do mundo nunca estiveram tão próximas graças à internet, numa era em que as câmaras municipais e os partidos utilizam a internet até à exaustão para “vender o peixe”, numa era em que os serviços de finanças privilegiam a internet para entrega do IRS e demais obrigações fiscais, numa era em que o governo distribui “Magalhães” com acesso internet para todos, numa era em que centenas de executivos por esse país fora promovem o contacto e a interacção com os seus municipes através da internet, é de lamentar que a junta de Fermelã ainda se mantenha na era do telégrafo, ou quiçá, pior ainda, ainda utilize os sinais de fumo como método preferido para “dar ideias”.
JE: Não é um assunto que lhe tire o sono?
SM: Não. Para ser meu amigo devia dar opiniões pessoalmente e não estar com aquelas fantochadas. Ninguém lhe reconhece valor.
99%: Amigo? Sei bem que uma pessoa quando chega a presidente de alguma coisa, ganha logo uma data de "amigos" de forma automática, mas não será o meu caso. "Amigos amigos, negociatas à parte!"
RVRIA: Mas às vezes dará para alertar para algumas situações que se passam na freguesia?
SM: Não.
99%: O que é certo é que algumas dessas situações apareceram resolvidas ao outro dia...vá-se lá saber porquê!!??
RVRIA: Estamos a caminhar a passos largos para o final do mandato. E depois?
SM: Depois não sei. Fico com a consciência de missão cumprida. Tenho alguma pena de não ter feito algo mais e espero que tudo corra bem em Fermelã.
99%: Há aqui qualquer coisa que não joga. Portanto, se "tem pena", então é porque a “consciência de missão cumprida” não está assim tão “cumprida”. E além do mais, senhor presidente, se bem me lembro lá atrás na entrevista, mencionou que espera ainda dar o 1º passo para a criação do parque de merendas, portanto, férias e reforma antecipada só lá para depois de Outubro.
JE: Vai ser fácil a substituição?
RVRIA: Já há nomes em cima da mesa?
SM: Quem for tem que dar a cara e ser sobejamente conhecido.
99%: Conheço alguém em Fermelã que costuma dar a cara por altura das eleições, aliás, até se sacrifica em nome da vitória e é sobejamente conhecido aquém e além fronteiras, chama-se..... porco no espeto. Embora, ser conhecido não deva chegar. Há requisitos mais importantes, tais como:
pertencer aos quadros do PSD, já que qualquer alma caridosa por mais bondosa que seja, se concorrer por outro partido não tem a minima hipotese.
Também é importante que o futuro candidato, seja ele quem for, pelo PSD claro está, seja pessoa que comungue na missa, porque quem não for visto a papar a hóstia, bem que pode tirar o cavalinho da chuva.
Sobre esta questão da substituição, gostaria também de acrescentar que tinha preferência pela eleição de uma mulher para o cargo máximo do poder fermelanense, o problema é que para os barões do PSD Fermelã, uma mulher a liderar a junta seria um verdadeiro sacrilégio, 30 vezes mais intolerável e inconcebivel do que ter um membro da CDU a moer-lhes o juizo em cada assembleia. Às vezes dou por mim a pensar se não existirá um trauma qualquer na junta que tenha a ver com saias.
SM: Se houvesse teria todo o gosto em o dizer, até porque não pode ser sempre segredo.
99% Esta então é para rir. Uma junta que fez do segredo de estado, do tabu e do blackout a sua conduta durante 30 anos, vem agora dizer que "não pode ser sempre segredo".
E pronto, eis uma entrevista para perdurar no tempo e ser lembrada por várias gerações de fermelanenses. Pelo menos, não atingiu o ridiculo de chamar "pastor alemão" ao presidente da câmara, nem de ter culpabilizado as cegonhas pelos problemas da caça no "bioria", e muito menos ter andado a vender as próprias carrinhas à junta, como fez o seu homólogo de Salreu, felizmente que não está a pensar mexer nos cadáveres do cemitério, como o seu parceiro de Beduído, graças a Deus que não andou a fazer figuras tristes no Santoínho, tal e qual o de Avanca, teve o bom senso de não avançar sem licença com as máquinas por cima dos terrenos privados a exemplo daquilo que muito se pratica para os lados de Pardilhó, agradece-se que não tenha plagiado as declarações do presidente da junta de Veiros, para quem a freguesia veirense é demasiadamente "plana" e há pessoas que não saiem de casa por causa disso. Classificação actualizada e final das 7 entrevistas, segundo o grau de comicidade:
(as análises às entrevistas de cada fenómeno podem ser consultadas clicando em cima do nome de cada personagem)