Jorge-da-Santa é uma criatura carismática da freguesia de Canelas. Toda a gente o conhece, seguramente, pelo seu trabalho de informador junto da Polícia Judiciária. Jorge-da-Santa conhece todos os segredos de Estado intransmissíveis da governação local, sabe matéria Top Secret acerca dos mais recentes actos criminosos nomeadamente o roubo do gasóleo das máquinas da A29 e o paradeiro do corpo da pequenita Maddie, sabe em que cabana se escondem e reunem os temíveis bandidos que assaltam as nossas residências, e finalmente, efectua rusgas regulares pelas entranhas da freguesia tentando decifrar alguns dos mistérios mais bem guardados relacionados com as facadinhas no matrimónio de grande parte dos habitantes dessa dita localidade medieval.
No dia da actuação da explosiva Filipa Alexandra nas festas canelenses, Jorge-da-Santa foi figura de cartaz, tão ou mais importante que a artista, durante o desenrolar dos festejos. Consta que Jorge-da-Santa apanhou 7 adolescentes a fumar às escondidas dos pais, 4 jovens consumindo álcool a partir do mesmo copo, 3 casais em pleno acto sexual nos lavadouros limítrofes e 1 grupo de 'hippies' queimando uma 'broca' na horta em frente à praça de festas. É impossível escapar ao olho clínico deste fenómeno do coscuvilheirismo profissional.
No entanto, algo continua no segredo dos deuses. Nesse dia Jorge-da-Santa abeirou-se de Filipa Alexandra e segredou-lhe algo. Isto está documentado em vídeo, prestem atenção aos 1,35 minutos:
Que lhe terá confidenciado Jorge-da-Santa?
Não acredito na teoria 'pedido de autógrafo', teoria avançada por muitos dos presentes. Se havia ali alguém com honras de distribuir autógrafos era o próprio Jorge-da-Santa e não a diva Filipa.
Também não creio na hipótese 'pedido de casamento', formulada por outros. Acho que Jorge-da-Santa é mais exigente do que aquilo que deixa transparecer.
Que terá sido, então?
Bom, partindo do princípio que o teclista da banda, Ricardo, durante o interlúdio de duas baladas, apelidou de maricas o escrevedor em blogues anónimos, na altura chamado 'Poeta de Fermelã, e sabendo-se que Jorge-da-Santa possui conhecimento sobre tudo o que se passa, inclusive aquilo que desconhece e aquilo que ainda está para suceder, é facilmente dedutível que Jorge-da-Santa comunicou a Filipa Alexandra toda a verdade sobre o maléfico 'Poeta de Fermelã'. Aliás, para quem consegue ler lábios é perceptível que o verdadeiro diálogo entre a Diva e o Colosso foi este:
Diva: que queres, aberração? Será que ainda não te apercebeste que me estás a estragar o espectáculo?
Colosso: oia Lipa. O que dicheste é mintira. Eu bi com estes dois que a terra hai-de comer. O poeta não é gáy.
Diva: como é que sabes, abantesma?
Colosso: porque eu estibe nos labadouros em serbisso de espionhagem e bi-lo com duas moças. Uma era a neta do enxertador e a outra era de Salreu, filha do Tónio da padaria.
Diva: então diz-me quem ele é.
Colosso: não posso. É classificado.
Diva: não podes? Porquê?
Colosso: porque ele comprou-me. Ficou com a filha do Tónio e pashou a neta do enxertador pra mim...
Moral da história:
- qualquer profissional de espionagem, por mais puro, impoluto e insubornável que possa parecer, é sempre corruptível se soubermos como fazer as coisas!
Não obstante, Jorge-da-Santa merece toda a minha simpatia e admiração. Houvesse mais como ele, sempre pronto a decifrar os casos mais indecifráveis destas nossas enigmáticas paróquias...
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