As novas instalações do Restaurante "O Portal" obrigaram à mudança de alguns comportamentos que eram apanágio dos antigos clientes. Por exemplo, antes tínhamos um estabelecimento onde era permitido entrar com as botas carregadas de surro da vacaria, ou com as calças à trolha todas sarapintadas de cimento fresco, acabadinho de chapar na parede da obra. Agora é precisamente o contrário. Se antigamente, gajo que fosse visto a entrar no "Portal" todo aperaltado na vestimenta e aromatizado com essência odorífera oriunda dos melhores frascos de perfume da tenda dos ciganos era logo olhado de soslaio, agora passa-se o oposto, pois graças aos novos métodos que as renovadas instalações legitimaram, os indivíduos que passaram a ser olhados de esguelha com sequente abanar de cabeça reprovador por parte de quem está, são exactamente os que comparecem com aspecto desleixado, muito mais típico de morador dos becos sombrios de Angeja do que habitante de Fermelã. Esta é apenas uma das grandes mudanças. Vejamos as restantes:
-muito mais claridade. Agora dá para ver perfeitamente o que temos servido no prato, ou no fundo da chávena de café. Antigamente, não.
-preçário. Um dos grandes temores da clientela era a hipotética subida dos preços mediante o melhoramento das condições de higiene, mas para alivio de todos os comedores, as condições de limpeza melhoraram da noite para o dia e os preços mantiveram-se.
-WC´s. Uma das particularidades das novas instalações é que agora as coisas foram postas no seu devido lugar. Existem dois WC´s de serviço: um para homens e um para senhoras e... deficientes. O seu a seu dono.
-decoração. As telas da conceituada artista Mimi Sábio dão um toque de requinte ao espaço, não esquecendo as esculturas do já galardoado 'Siza' Sábio de Fermelã. Nota extremamente positiva.
-atendimento. Grande mudança - para melhor - no atendimento ao balcão. Antigamente, tínhamos que aguardar cerca de 15 minutos para que nos servissem um simples e banal café. Muitas das vezes, era o próprio filho do patrão que se predispunha a servir-nos. Não tem nada de escandaloso, excepto o facto do rapaz estar mais interessado em assistir aos episódios do DragonBall e do Sang´Oku, do que andar a servir cafés à malta. Volta e meia, era contratada uma servente de Angeja, mas nunca se percebeu muito bem qual era a arte delas. Para atendimento ao público, certamente, mas para servir ao balcão, não. Na actualidade, somos brindados com um atendimento de excepção e bastante personalizado, em que os contratados tratam os clientes com todas as mordomias e carinho, com destaque para a amiga Sónia e para o amigo Zequinha. Até o GRANDE e magnânimo Poeta Arlindo toma cerca de 45 cafés diários, impressionado que está com tão simpática recepção.
-há quem diga que a eliminação do salão de jogos fez perder um pouco da interacção social entre fermelanenses e alguma daquela mística ancestral que envolvia os grandes duelos de matraquilhos e uma ou outra tacada no tapete verde do bilhar. Mas para compensar, temos agora 2 LCD´s que agregam a clientela em torno de um jogo de futebol, ou de um bom documentários da National Geographic, enquanto se espera pela saída dos frangos. O próximo passo será a criação de uma rede 'Wireless' para que toda a gente possa levar o seu portátil ao restaurante.
-esplanada. Um dos pormenores mais elogiados pela clientela. A vista é agradável (embora pudesse ser melhor), o espaço tem excelente disposição solar, há mesas e cadeiras q.b. que ficam presas durante a noite como mandam as regras de prevenção, em suma, é um espaço adequado para a prática da leitura, do canto, da meditação, ou simplesmente, para ver quem passa.
-jornais. Agora que as instalações do Restaurante "O Portal" passaram para outro patamar de beleza e limpeza, ter apenas em stock o Jornal de Noticias e o Diário de Aveiro não chega. Que é feito do "Público"? Do "Jornal de Negócios"? Do "Finantial Times"? É que agora, as exigências da clientela em relação 'à casa' também subiram e a malta já não se contenta com literatura 'light' que faz do crime doméstico e dos treinos do Beira Mar o seu serviço noticioso primordial.
-estacionamento. Continua a ser o grande flagelo deste estabelecimento e então nestes dias de temporal em que não se vê a ponta de um 'corno', ter que andar a fazer 'slalom' por entre os camiões estacionados nas beiras da EN109 chega a ser horripilante. Porque razão não se aproveita o terreno situado entre o 'chapeiro' e a estrada nacional, que está ao completo abandono e possui um fundo e largura bastante consideráveis, onde os camionistas de pesados pudessem deixar a repousar calmamente as suas máquinas, não correndo riscos desnecessários de ver a policia autuá-los por deixarem o seu ganha-pão com rodas estacionado debaixo do semáforo ou em cima dos passeios?
É sabido que o amigo Jorge não está para se chatear, agora que investiu forte e feio na remodelação total do seu 'estaminé', mas porque é que a Junta de Freguesia não adquire o dito terreno para o transformar num espaço útil à freguesia, zelando pela segurança dos seus moradores e eliminando um cancro inestético numa das entradas da terra? Ao que se consta, dinheiro nos cofres da Junta não é problema e esta era de facto uma obra importantíssima e vantajosa, ao contrário de parques de merendas no Carregal e todas aquelas 'Vicentinices' desnecessárias onde as sucessivas Juntas locais são pródigas em 'torrar' o orçamento.
Mas será que a 'gaiola' da Junta não repara nestas coisas? Ou estarão demasiadamente 'engaiolados' para pensar?